Com a maioria das cadeiras do conselho, a eleição para presidente do clube se encaminha para a indicação de apenas um candidato, Paulo Odone. Fato que já me parece consumado. Em entrevista a um jornal da capital, o futuro presidente informou que pretende fazer uma revolução no futebol tricolor e frisou que não assumiria o clube na segunda divisão. Com relação ao vice de futebol, as especulações apontam para o retorno de Paulo Pelaipe ao cargo.
Onde está a tal da Renovação? Voltaremos no tempo e repetiremos uma administração que teve seus méritos ao trazer o clube de volta à primeira divisão e à final da Libertadores, mas que efetivamente não botou nenhuma taça relevante no memorial em 4 anos. Ou seja, na prática foi igual à gestão do Duda Kroeff.
Além disso, como se pode falar em renovação política quando havia candidatos concorrendo tanto pela oposição quanto pela situação. Isso é incompreensível num processo que se diz democrático. Será que esses candidatos desfilavam pelo largo dos campeões de camiseta metade amarela e metade azul? Ora filando um churras no QG de um, ora petiscando uma calabresa no outro.
A não redução da cláusula de barreira para 20% como em outras agremiações foi decisiva para a falta de pluralidade no conselho, uma vez que as Chapa 2 - Dá-lhe Grêmio e a Chapa 3 - Terceira Via, tiveram 25,11% e 24,4%, respectivamente. Fazendo com que a situação, contrária à redução da cláusula, provasse do próprio veneno e nomes de peso perdessem suas cadeiras cativas no conselho.
Quanto à participação, houve um comparecimento de apenas 10% do associado. Número que considero ridículo. Choveu? E os associados do interior e de outros estados? Em tempos de Internet e outras tecnologias, ou mesmo correio, um clube da grandeza do Grêmio não pode se limitar a disponibilizar apenas papéis e urnas.
Acho que o Grêmio saiu perdendo nesse processo. Não é por causa da vitória de 1, 2 ou 3, porque não apoiava nenhuma das três chapas, mas pela falta da pluralidade.
Quem irá cobrar algo, se a maioria do conselho é da chapa que elegeu o presidente por aclamação? Como haverá a propagada "renovação"? Agora com a maioria, será que a Chapa 1 honrará a proposta de redução da barreira?
Ademais, entendo que o futebol não se administra com grandes revoluções, mas com planejamento de longo prazo. O Grêmio se encontra na atual situação por causa disso. A cada nova administração montamos um novo time e derrubamos tudo o que a gestão anterior fez. No final do ano, teremos outra caça às bruxas, novo treinador (pelo que se diz) e começaremos tudo do zero novamente.
Andamos em círculos.
P.S.: Falando do que realmente importa, saúdo a tão esperada vitória fora de casa contra um dos líderes do Brasileiro. Com autoridade e com o velho estilo gremista.





